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Brazil Mangá Awards - A contagem regressiva começou
21 março 2014
Posted by Wagner Elias
Tag :
concursos,
mangá nacional
Galera, se liga que o resultado do Brazil Mangá Awards tá beeeeem aí!!!!
Semana passada perguntei pra JBC qual é a desse concurso e eis que hoje os caras responderam!! Bem, eles foram espertos e só me responderam depois que já tinham publicado no site pra parecer que tô desatualizado, mas tudo bem, eu faço a mesma coisa quando atraso um trabalho com meus clientes, hehehe. O importante é que responderam e, adivinha só...
Isso mesmo, o resultado do concurso já tem data marcada e não vai ser só uma notinha na página oficial ou no canto direito da página da Henshin não. Vejam aí a resposta deles:
Os vencedores serão anunciados no evento anual da editora, o Henshin+ 2014. Além do anúncio vai rolar um bate papo sobre quadrinhos nacionais e uma palestra que trará novidades sobre a editora. Fico me perguntando que novidades são essas, já que a frase que fala das tais novidades está no mesmo parágrafo que fala do bate papo e do anúncio do concurso. Será que tem alguma relação, tipo a intenção da editora de contratar artistas brasileiros? Sei lá, posso tá viajando, mas quem não gosta de viajar?
Veja os detalhes no site da Henshin.
Agora uma promessa pessoal. Se eu não estiver entre os vencedores prometo ler Naruto inteiro (até quando acabar), e sem cortar meus pulsos.
E como sou um cara legal não vou terminar esse post com uma imagem do Naruto, mas sim desse mangá esplêndido que estou acompanhando e que, infelizmente, está prestes a ser cancelado.
Editado dia 24/03: A propósito, esqueci de dizer que a data do evento é dia 29 desse mês, então ainda temos aí alguns dias de angústia pela frente.
Semana passada perguntei pra JBC qual é a desse concurso e eis que hoje os caras responderam!! Bem, eles foram espertos e só me responderam depois que já tinham publicado no site pra parecer que tô desatualizado, mas tudo bem, eu faço a mesma coisa quando atraso um trabalho com meus clientes, hehehe. O importante é que responderam e, adivinha só...
Isso mesmo, o resultado do concurso já tem data marcada e não vai ser só uma notinha na página oficial ou no canto direito da página da Henshin não. Vejam aí a resposta deles:
Olá Wagner,
Temos a intenção de fazer próximas edições, sim.
Vamos ver como as coisas caminham.
Estamos trabalhando, também, para que a antologia dos
mangás vencedores sejá de boa qualidade, assim como
nossos mangás.Pode ter certeza de que também queremos
que o concursocorra da melhor maneira possível, para a
nossa alegria, eprincipalmente a dos mangakás que nos
enviaram suas obras.
Falando nisso, os vencedores serão divulgados
no Henshin+, portanto fique ligado nas nossas novidades!
Veja os detalhes no site da Henshin.
Agora uma promessa pessoal. Se eu não estiver entre os vencedores prometo ler Naruto inteiro (até quando acabar), e sem cortar meus pulsos.
E como sou um cara legal não vou terminar esse post com uma imagem do Naruto, mas sim desse mangá esplêndido que estou acompanhando e que, infelizmente, está prestes a ser cancelado.
Clique na imagem para ler o mangá
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| Doubutsu no Kuni |
Editado dia 24/03: A propósito, esqueci de dizer que a data do evento é dia 29 desse mês, então ainda temos aí alguns dias de angústia pela frente.
Se você gosta de mangás, se interessa por produções independentes e tem acesso à internet, com certeza já viu ou ouviu falar de Tools Challenge. Pera, o que... saiu na Neo Tokyo? A, então desconsidere o último item, você não precisa nem ter internet.
Desenhado, roteirizado e editado por Max Andrade, Tools Challenge vem se tornando cada vez mais conhecido nas esferas otakistas (essa palavra não existe) e conquistando um considerável número de fãs pelo Brasil, a ponto de, através do Catarse, juntar uma galera grande o suficiente pra bancar uma edição impressa compilando os 5 primeiros capítulos da série. A edição nº 1 de Tools foi um sucesso - esgotando em 6 meses - e agora o autor volta ao Catarse propondo a impressão do segundo volume da série.
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| O volume 1 impresso em excelente qualidade. |
Tools Challenge se ambienta em um mundo semelhante ao nosso, mas com uma estranha particularidade: todas as pessoas
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| No mundo de Tools todos nascem com uma ferramenta. |
Cara, minha mãe diz que eu só não perco minha cabeça porque ela tá presa no corpo. Série ouro não dava pra mim não.
Max Andrade cativa o leitor com uma narrativa bem construída e boas doses de drama que, aliás, são o ponto forte da história. Logo no começo você se sente comovido com a situação irreversivelmente trágica em que se encontra o personagem. Como este, muitos outros momentos dramáticos vão sutilmente adornando a história, sem deixar de ser divertida.
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| Não, ele não tá no banheiro. É apenas uma das cenas dramáticas de Raion. |
Mesmo assim Tools Challenge já provou que tem fôlego pra seguir em frente e se consolidar nesse mercado tão escaço que é o nosso. Então, o que você tá esperando? Vai lá no Catarse e colabora.
Uma dica importante: faça os cálculos: faltam 36 dias para o final do prazo do projeto. Isso vai ser por volta do final de abril. Lembrando que o volume 1 demorou cerca de 3 meses desde o dia em que o projeto foi aprovado até o lançamento oficial. Se levarmos em conta que o Max tá entrando nesse projeto com mais planejamento e experiência vamos calcular aí uns 2 meses de produção, chegando a um possível lançamento em Junho. Cara, que boa oportunidade pra dar um presente de dia dos namorados supimpa!
Olha como as minas ficam alegrinhas:
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| Putz, até no Japão! |
Conequim - Séries que merecem destaque - Ta No Sekai
20 março 2014
Posted by Wagner Elias
Tag :
conequim,
mangá nacional
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| O cenário super detalhado é um dos pontos fortes da obra |
Ok, então resolvi fazer uma breve avaliação de cada uma à medida que eu for lendo e, começando pela que mais me surpreendeu, vou falar dessa série que me fez lembrar que não se julga um livro pela capa.
Quando vi Ta no Sekai pela primeira vez logo a rotulei como uma obra amadora.
Até gostei dos cenários bem detalhados, mas a arte meio relaxada e outros fatores que mencionarei mais à frente me fizeram torcer o nariz um pouquinho.
A história se passa em dois cenários, o nosso mundo e um mundo paralelo conhecido como mundo das sombras. Nesse mundo paralelo habitam as contrapartes malignas de cada ser humano, que são as tais sombras.
O protagonista, Kentaro, é um carinha tímido e com baixo autoestima cujo pai morreu quando tentava reagir a um assalto (isso não se faz). De repente o cara chega no quarto da irmã e vê um bicho esquisito trepado na cama dela com o olho arregalado e pronto pra atacar. O diabão revela ser a sombra maligna do cara que matou o pai de Kentaro e acaba levando o coitado pro mundo das sombras, onde ele descobre que tem um poder capaz de derrotar o bichão, mas ele não controla muito bem o poder e acaba ficando muito fraco ao usar. Depois disso uma garota da escola dele o salva e explica toda a situação, declarando ser uma espécie de guerreira do outro mundo. Ela o convida para ajudá-la a derrotar as sombras do mal e ele aceita na intenção de proteger sua família contra as possíveis ameaças das criaturas do mundo paralelo.
Como você pode perceber a premissa é um tremendo clichesão. Mas, o que me atraiu nessa obra foi a forma anagnórica (essa palavra não existe) como o João Eddie conduz a história. Nada é previsível nesse mundo novo em que Kentaro passa a frequentar. Em quem confiar, por onde seguir, em que acreditar... questões como essas perturbam a mente do protagonista o tempo todo e quando ele acha que entendeu as coisas vem uma nova revelação que muda tudo. Quando ele pensa que tá lascado, o autor lança mão de um deus ex machina pra deixar tudo bacana e depois ferrar com tudo de novo. Mas, o bacana é que o Eddie faz tudo isso de forma consciente, sem deixar a história confusa, sem perder o foco.
Mas, vamos falar mal um pouquinho, porque falar mal sempre dá mais audiência né?
Pra começar, não vi a menor necessidade de ter um título em japonês. Ta no Sekai poderia se chamar Mundo das Sombras (acho que é esse o significado) sem problema nenhum. Na verdade, toda a história poderia se passar no Brasil sem mudar nada de relevante. Por que os autores brasileiros ainda continuam insistindo nisso? Cara, nada contra fazer uma história ambientada em outro país, desde que haja necessidade. Se o cenário não for um fator pertinente, se não tem nenhum propósito para o andamento da história, não faz sentido que seja um lugar com o qual o leitor não tem a menor familiaridade.
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| Nomes, cenário e até onomatopeias japonesas!!! É necessário? |
Outra questão que me incomodou um pouco é a frieza com que os personagens reagem ao se deparar com situações totalmente extraordinárias. O que você faria se chegasse no quarto e visse uma criatura endiabrada na cama da sua irmã (sem ser o seu cunhado) tentando
Em TnS os personagens sempre aceitam muito fácil as coisas absurdas que acontecem com eles e isso tira um pouco do crédito da história. Você tem aquela sensação de estar assistindo a um ator que atua muito mal.
Por último vou sugerir ao João Eddie que preste mais atenção às explicações que dá para a ação dos personagens. Embora a trama seja bem amarrada ele ainda deixa algumas pontas soltas seguindo algumas vezes o caminho mais fácil para chegar ao conflito principal. Por exemplo, no início da história, quando Sanae explica ao Kentaro todas as coisas absurdas que ocorreram com ele e lhe propõe se tornar um guerreiro yohei, o cara topa a parada simplesmente porque quer defender sua irmã contra as criaturas malignas. Cara, se ele queria proteger a irmã, ele não tinha que ficar perto dela o tempo todo? Sei lá, pra ele tomar uma atitude tão extrema a ponto de ir atrás de tudo quanto é bicho em um mundo todo bugado quenem aquele, precisava de um motivo maior. Nem uma vingança pela morte do pai poderia ser considerada como motivação nesse caso, afinal a última essência do assassino já havia sido derrotada por ele mesmo.
Enfim, Ta no Sekai é uma série que me surpreendeu por sua qualidade narrativa admirável e, apesar de alguns contras, eu recomendo sem medo de superestimar.
Agora, só pra descontrair, alguém reparou que o Kentaro só usa o super gel capilar quando sai nas imagens de capa?
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| Com supergel |
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| Sem supergel |
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| Com supergel |
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| Sem supergel |
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| Com super gel |
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| Sem supergel |
Você já conhece o novo projeto do Douglas MTC? Não?
Dez desejos é o novo mangá escrito por Douglas MTC (Necrópolis, O Coletor de Almas) e desenhado por Rafael Françoi (20 Deuses). A história se passa no mesmo cenário fantástico descrito em Necrópolis, série de seis livros escritos pelo autor e publicados desde 2010 pela editora Gutenberg.
O título está em fase de produção e será lançado em formato webcomic, mas o autor já revela alguns detalhes da obra que demonstram uma qualidade aparentemente elogiável.
A história segue uma premissa já abordada muitas vezes: o cara acorda num lugar estranho sem memória e com um poder que não sabe usar e vai ter que enfrentar muitos perigos para descobrir que merda é tudo aquilo.
O protagonista desmemoriado é o Cão (sim, e não me pergunte por que raios esse nome), um velhote marombado que, logo no início da história, acorda no fundo de um rio e percebe que seu braço direito tá com um aspecto peculiarmente encapetado. Daí ele conhece Ananque, uma guria com quem o cabra faz um pacto pra tentar recuperar o que perdeu, recebendo o direito a dez desejos.
Os responsáveis
Douglas MCT já é conhecido no meio dos quadrinhos e literatura, apesar de que não conheço muito bem suas obras. já li "O Coletor de Almas" e até que não é ruim. Quanto a Necrópolis, não posso falar nada porque não li, mas há quem diga que é muito bom. No ramo dos quadrinhos o cara é conhecido pelo ainda não lançado e já há muito esperado Hansel &Gretel, prometido e reprometido pela New Pop desde 2011.

Os caras tão fazendo uma publicidade bacaninha. Já até disponibilizaram uma página do roteiro, olha só:
Enfim, se vale a pena esperar ou não, só esperando pra ver né?
Imagens tiradas do site oficial.
Veja também a página do Facebook.
Brazil Mangá Awards - A JBC abre os olhos para o mangá nacional (parte 02)
17 março 2014
Posted by Wagner Elias
Tag :
concursos,
mangá nacional
Dando continuidade à matéria iniciada semana passada trago a segunda parte da análise sobre as gerações do mangá brasileiro e os motivos pelos quais não temos até hoje um mercado nacional no gênero. Vamos então para o terceiro período do mangá nacional:
Década 2000
Essa década foi marcada pelo auge e súbita decadência do mangá nacional. Nesse período um bom número de artistas já se destacava no mercado editorial e, aos poucos, levantavam suas paredes sobre o alicerce construído na década anterior.
O impulso gerado pela Animax anos atrás estava ganhando estrutura e logo poderia se consolidar.
Até então a Trama era a única editora que conseguia publicar material nacional com bons resultados, mas a partir do início dessa nova década, outras editoras resolveram apostar no segmento e lançaram diversos títulos fazendo desse período o mais prolífero até hoje. Até 2004 tivemos um número considerável de títulos brazucas estampando as prateleiras das bancas. A Trama continuava sua linha editorial com Victory, Tsunami, Ethora dentre outros, além de republicações de Holy avenger.
Outras editoras como a Kingdom Comics, Brainstore, JBC e Panini também tentaram investir em títulos nacionais, mas o que se pode notar é que todas elas estavam entrando meio hesitantes, em geral não apostando muito alto.
Década 2000
Essa década foi marcada pelo auge e súbita decadência do mangá nacional. Nesse período um bom número de artistas já se destacava no mercado editorial e, aos poucos, levantavam suas paredes sobre o alicerce construído na década anterior.
O impulso gerado pela Animax anos atrás estava ganhando estrutura e logo poderia se consolidar.
Até então a Trama era a única editora que conseguia publicar material nacional com bons resultados, mas a partir do início dessa nova década, outras editoras resolveram apostar no segmento e lançaram diversos títulos fazendo desse período o mais prolífero até hoje. Até 2004 tivemos um número considerável de títulos brazucas estampando as prateleiras das bancas. A Trama continuava sua linha editorial com Victory, Tsunami, Ethora dentre outros, além de republicações de Holy avenger.
Outras editoras como a Kingdom Comics, Brainstore, JBC e Panini também tentaram investir em títulos nacionais, mas o que se pode notar é que todas elas estavam entrando meio hesitantes, em geral não apostando muito alto.
Ainda no ano 2000 a editora Escala tentou entrar nesse mercado publicando a revista Desenhe e Publique Mangá, que seguia um padrão parecido com o usado nas antologias Japonesas. Mais tarde ela tentaria de novo com a Talentos do Mangá, ambas, porém, sem grandes resultados já que publicava histórias fechadas sem continuação.
2002 foi o ano mais fértil tendo um grande número de publicações. Nessa época tinha até uma boa divulgação nas revistas especializadas. Cheguei inclusive a comprar alguns como Fighter Dolls e Combo Rangers.
Sim, os mangás nacionais realmente estavam ganhando qualidade naquela década. Acredito que essa evolução poderia levar a uma futura consolidação do gênero no país, não fosse por um detalhe.
Por que não deu certo?
No ano 2000 a editora Conrad trouxe pela primeira vez para as nossas terras um título originalmente Japonês. É verdade que já haviam sido publicados mangás no Brasil como Ranma 1/2, mas dessa vez estava-se fazendo algo realmente novo. Diferente de tentativas anteriores a Conrad apostou num formato mais parecido com o original optando por não espelhar as páginas (como se fizera em tentativas anteriores) e lançando mais capítulos por edição. A proposta da Conrad foi excelente para o mercado de mangás no Brasil, mas não para o mangá brasileiro. Como assim? Como já expliquei anteriormente o mangá nacional, apesar de sua rápida evolução entre os anos 90 e 00, ainda não estava pronto para competir com os títulos internacionais que surgiriam a partir de então
Foi aqui que começou a decadência do mangá made in Brazil. À medida que foram surgindo mais títulos japoneses os nossos mangás foram perdendo cada vez mais o espaço que ainda nem haviam conquistado por completo. Se você for reparar bem, os motivos que levaram ao surgimento de um público em potencial para esse produto nacional não foi a sua qualidade, mas sim a falta de material de melhor qualidade. É tipo quando você compra Dolly porque não tem Coca Cola na prateleira.
Não posso garantir quais seriam os rumos tomados pelo mangá nacional sem a competição estrangeira, mas não tenho dúvidas de que este foi um fator relevante para o enfraquecimento do produto nacional. Em contrapartida, embora o mercado para esse produto tenha se acanhado, os artistas não. Com o passar do tempo o artista inexperiente que outrora não se equiparava ao estrangeiro continuou evoluindo e os resultados vieram na década seguinte.
Década 2010
Enfim chegamos ao nosso tempo. Cerca de 5 décadas se passaram desde as primeiras manifestações do mangá no Brasil e o que mudou de lá pra cá? Alguns pessimistas costumam dizer que não mudou nada, mas eu digo que sim, mudou muita coisa. Estamos deixando de ser amadores e nos tornando a cada nova página mais próximos de verdadeiros profissionais. Então o que falta?
A década atual começou com a timidez herdada da década anterior. Poucas editoras se arriscam nesse mercado e as poucas que o fazem, fazem de forma "segura" o bastante para evitar prejuízos.Talvez a que mais se arriscou tenha sido a HQM que, logo em 2010 inicia o selo HQMangá através do qual investe em títulos nacionais com a publicação das séries "Vitral" e "Príncipe do Best Seller", ambos produzidos pelo Futago Estúdio, e no ano passado "Vidas Imperfeitas" de Mary Cagnin. Tivemos nesses últimos anos alguns outros títulos lançados por aí como DBride de Marcelo Casaro e Erica Awano, e o bem sucedido Ledd de J.M. Trevisan e Lobo Borges.
Outras editoras publicaram uma coisa aqui, outra ali, algumas se limitando a incluir histórias curtas em algumas páginas de revistas informativas, mas nada muito ousado. Mas, quando ninguém esperava, surge uma luz no fim do túnel. Em 2011 Alexander Lancaster anuncia a criação de uma editora independente que funcionaria seguindo o modelo das antologias japonesas. Na época eu cheguei a comentar sobre como eu acreditava nesse projeto não como algo que necessariamente daria certo, mas como um precursor de uma nova era para o mangá brasileiro. E, de fato não deu certo. Entretanto, a proposta de Lancaster deu a vários autores novatos uma motivação e a chance de se unirem.
Através de um grupo não oficial do Facebook os fãs da revista de Lancaster acompanharam juntos a ascensão, decadência e extinção da publicação. Neste ínterim aqueles fãs/autores foram se conhecendo e estabelecendo um vínculo que se consolidou à medida que compartilhavam de um ideal comum. Assim surgiu a revista digital nanquim que se propunha a fazer o que a Ação não conseguiu. Sem meter os pés pelas mãos a Nanquim Digital, como era intitulada na época, se limitou à publicação online e vem se mantendo até hoje com um público fiel.
Recentemente uma série publicada na revista foi impressa de forma independente através do sistema de financiamento coletivo pelo Catarse. Estou me referindo ao divertido Tools Challenge, de Max Andrade, que conquistou um público grande suficiente para fazer uma vaquinha e financiá-la. A própria revista digital teve uma edição especial impressa e está em processo de distribuição graças ao mesmo sistema de financiamento. Aliás, o Catarse, principal comunidade de financiamento coletivo do Brasil, tem sido responsável por um número cada vez maior de mangás publicados de forma independente.
Brazil Mangá Awards - por que?
Não posso dizer com certeza o que levou a editora JBC a lançar um concurso de mangá, mas dá pra imaginar. Após essa análise que acabei de fazer dá pra ver claramente que o mangá brasileiro está ganhando força novamente. Não sei se será apenas mais uma onda passageira ou se o mercado está abrindo as portas definitivamente para esse produto. O fato é que o já não somos mais tão amadores quanto antigamente. Mesmo sendo poucas, já existem obras capazes de competir com as japonesas e a JBC já percebeu isso. O meu medo é que a editora esteja tendo apenas uma visão superficial da situação ( notando que essas obras tem conseguido angariar público mesmo de forma independente) sem entender os fatores responsáveis por isso. Se a JBC começar a ver o potencial de cada obra e souber investir nisso, acredito que em pouco tempo teremos um mercado nacional consolidado.
Entretanto, precisamos esperar pra ver os resultados. Até lá o que resta é torcer para que a editora faça uma boa campanha publicitária, assim como faz com as obras estrangeiras que publica.
Leia a 1ª parte AQUI.
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| Tá certo que não precisa muito esforço pra desenhar como o kurumada mas... ah vá, né? |
Foi aqui que começou a decadência do mangá made in Brazil. À medida que foram surgindo mais títulos japoneses os nossos mangás foram perdendo cada vez mais o espaço que ainda nem haviam conquistado por completo. Se você for reparar bem, os motivos que levaram ao surgimento de um público em potencial para esse produto nacional não foi a sua qualidade, mas sim a falta de material de melhor qualidade. É tipo quando você compra Dolly porque não tem Coca Cola na prateleira.
Não posso garantir quais seriam os rumos tomados pelo mangá nacional sem a competição estrangeira, mas não tenho dúvidas de que este foi um fator relevante para o enfraquecimento do produto nacional. Em contrapartida, embora o mercado para esse produto tenha se acanhado, os artistas não. Com o passar do tempo o artista inexperiente que outrora não se equiparava ao estrangeiro continuou evoluindo e os resultados vieram na década seguinte.
Década 2010
A década atual começou com a timidez herdada da década anterior. Poucas editoras se arriscam nesse mercado e as poucas que o fazem, fazem de forma "segura" o bastante para evitar prejuízos.Talvez a que mais se arriscou tenha sido a HQM que, logo em 2010 inicia o selo HQMangá através do qual investe em títulos nacionais com a publicação das séries "Vitral" e "Príncipe do Best Seller", ambos produzidos pelo Futago Estúdio, e no ano passado "Vidas Imperfeitas" de Mary Cagnin. Tivemos nesses últimos anos alguns outros títulos lançados por aí como DBride de Marcelo Casaro e Erica Awano, e o bem sucedido Ledd de J.M. Trevisan e Lobo Borges.
Outras editoras publicaram uma coisa aqui, outra ali, algumas se limitando a incluir histórias curtas em algumas páginas de revistas informativas, mas nada muito ousado. Mas, quando ninguém esperava, surge uma luz no fim do túnel. Em 2011 Alexander Lancaster anuncia a criação de uma editora independente que funcionaria seguindo o modelo das antologias japonesas. Na época eu cheguei a comentar sobre como eu acreditava nesse projeto não como algo que necessariamente daria certo, mas como um precursor de uma nova era para o mangá brasileiro. E, de fato não deu certo. Entretanto, a proposta de Lancaster deu a vários autores novatos uma motivação e a chance de se unirem. Através de um grupo não oficial do Facebook os fãs da revista de Lancaster acompanharam juntos a ascensão, decadência e extinção da publicação. Neste ínterim aqueles fãs/autores foram se conhecendo e estabelecendo um vínculo que se consolidou à medida que compartilhavam de um ideal comum. Assim surgiu a revista digital nanquim que se propunha a fazer o que a Ação não conseguiu. Sem meter os pés pelas mãos a Nanquim Digital, como era intitulada na época, se limitou à publicação online e vem se mantendo até hoje com um público fiel.
Recentemente uma série publicada na revista foi impressa de forma independente através do sistema de financiamento coletivo pelo Catarse. Estou me referindo ao divertido Tools Challenge, de Max Andrade, que conquistou um público grande suficiente para fazer uma vaquinha e financiá-la. A própria revista digital teve uma edição especial impressa e está em processo de distribuição graças ao mesmo sistema de financiamento. Aliás, o Catarse, principal comunidade de financiamento coletivo do Brasil, tem sido responsável por um número cada vez maior de mangás publicados de forma independente.Brazil Mangá Awards - por que?
Não posso dizer com certeza o que levou a editora JBC a lançar um concurso de mangá, mas dá pra imaginar. Após essa análise que acabei de fazer dá pra ver claramente que o mangá brasileiro está ganhando força novamente. Não sei se será apenas mais uma onda passageira ou se o mercado está abrindo as portas definitivamente para esse produto. O fato é que o já não somos mais tão amadores quanto antigamente. Mesmo sendo poucas, já existem obras capazes de competir com as japonesas e a JBC já percebeu isso. O meu medo é que a editora esteja tendo apenas uma visão superficial da situação ( notando que essas obras tem conseguido angariar público mesmo de forma independente) sem entender os fatores responsáveis por isso. Se a JBC começar a ver o potencial de cada obra e souber investir nisso, acredito que em pouco tempo teremos um mercado nacional consolidado.
Entretanto, precisamos esperar pra ver os resultados. Até lá o que resta é torcer para que a editora faça uma boa campanha publicitária, assim como faz com as obras estrangeiras que publica.
Leia a 1ª parte AQUI.
Brazil Mangá Awards - A JBC abre os olhos para o mangá nacional (parte 01)
12 março 2014
Posted by Wagner Elias
Tag :
concursos,
mangá nacional
Estamos há um mês e alguns dias desde o encerramento das inscrições para o pouco comentado concurso de mangá da editora JBC mais conhecido como Brazil Mangá Awards. Mas, apesar de poucos, tenho percebido que os comentários não tem sido muito favoráveis. Dentre as reclamações mais frequentes a que mais tenho visto é com relação à ausência de um prêmio em dinheiro para os 5 selecionados que gastaram dias de suor e nádegas doloridas para produzir suas obras dentro do prazo.
De fato, não é muito empolgante a ideia de trabalhar de graça apenas pela satisfação de ver seu trabalho realizado. Ou você já viu um médico que atende seus pacientes de graça só por prazer (a menos que ele seja herdeiro de um ricaço ou coisa parecida)? Não minha gente, ninguém quer fazer isso. Por outro lado eu pergunto a você aí do outro lado da janela, que gostaria de trabalhar fazendo aquilo que seus pais sempre lhe disseram que não teria futuro algum: quais as chances de seus pais estarem certos? Quantas oportunidades você já teve de empregar-se como quadrinista?
Digite no Google a combinação oportunidade+emprego+quadrinista e veja os resultados.
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Onde quero chegar? Veja bem, no Brasil já existe um número considerável de pessoas que, como você, querem fazer de seus dotes quadrinistícos sua profissão. Tenho que admitir também que de uns tempos pra cá tem surgido artistas cada vez mais competentes nessa área. Mas o fato, meu amigo, é que as editoras estão pouco se lixando pro seu ideal de vida ou seu talento nato insuperável. O que lhes interessa é se vai dar lucro ou não, e convenhamos, no Brasil quadrinhos nacionais ainda é um terreno arenoso e nenhuma editora quer ser a primeira a explorá-lo assim, sem nenhum tipo de garantia - ainda mais se levarmos em conta que as tentativas do passado foram todas frustradas. Mas eis que surge uma proposta que dará ao aspirante a quadrinista a oportunidade de publicar seu trabalho de forma profissional, e essa proposta vem de onde? Sim, da segunda principal editora de mangás do país, a JBC.
Mas, e aí, vai vingar? Antes de qualquer conclusão é preciso uma análise, e nesse caso não se limita a uma análise do concurso em si, mas de todo um panorama que o antecedeu e abriu os olhos da editora para esse mercado. Afinal, não somos ingênuos de acreditar que a JBC só está sendo bacana. Então, convido você a relembrar as primeiras tentativas de se investir no gênero, traçando um perfil do mangá nacional no decorrer das ultimas décadas. Vou fazer então uma análise em quatro etapas, retratando quatro períodos diferentes para o mangá nacional, as principais investidas em cada período e o que não deu certo em cada um deles.
Décadas 60-80
Não, não foi na década de 90 que o mangá aportou no Brasil pela primeira vez. Já nos anos 60 vimos surgir os primeiros artistas de quadrinhos aderindo à estética do mangá. Minami Keizi e Claudio Seto lançavam naquela década, pela editora EDREL, as primeiras histórias em quadrinhos inspiradas em obras nipônicas. Tupãzinho, Ninja - O Samurai Mágico e Álbum Encantado foram alguns dos títulos que saíram entre as décadas de 60 e 70, e introduziram a estética no país. Sobre esse período não tenho muito o que relatar além do que ouvi de terceiros. O que posso dizer é apenas a impressão que tenho do que foi aquela época, que me parece ter sido o período mais espontâneo e honesto no que diz respeito ao objetivo inicial. Digo isso porque, aparentemente, os autores que se aventuraram nesse caminho incerto, não o fizeram por influência da modinha do momento ou por ser mais lucrativo (claro que havia interesse comercial, mas o estilo não era usado como estratégia para potencializar o interesse do público). A influência que tiveram parece ter sido natural e sem grandes pretensões. Não tive oportunidade de ler muitos desses quadrinhos, mas os poucos que li gostei.




O que não deu certo?
Apesar do pioneirismo, essas obras não se tornaram tão influentes a ponto de difundir o estilo no país. O público não sabia nada sobre mangá nem se interessava em saber. O estilo adotado por aqueles artistas parecia ser apenas um estilo próprio que chegava a causar estranheza algumas vezes, mas nada suficientemente impactante que pudesse gerar um público específico. Precisava-se de uma motivação. Algo que estimulasse o interesse do público e gerasse não só leitores dispostos a consumir aquele tipo de material, mas também artistas que aderissem ao novo estilo.
Década 90
Foi por volta da primeira metade dos anos 90, com o sucesso de Cavaleiros do Zodíaco, que acendeu-se o estopim para um boom de títulos nacionais que surgiriam nos anos posteriores. A invasão dos animes, entabulada pelos protetores de Atena foi o motor que impulsionou a produção nacional. Em 1996 a editora Magnum, que publicava com sucesso a revista informativa Animax, lança o fanzine Hipercomix, uma paródia escrachada das séries que faziam sucesso na época. Junto com esse título a editora publicou também o mangá do Megaman. Sobre este último vou me demorar um pouco mais pois se trata de uma das mais ousadas manifestações do gênero em território nacional. Na edição 13 da revista Animax eram apresentados os desenhistas de Novas Aventuras de Megaman, o novo título da editora. Na falta de recursos pra pagar artistas profissionais (os próprios editores trabalharam de graça por cerca de 10 edições) Sérgio Peixoto, o editor chefe, teve a feliz ideia de convocar leitores que estivessem dispostos a desenhar as páginas da revista, e em troca receberiam como pagamento a edição que desenhou. Essa iniciativa representou uma grande contribuição para o quadrinho nacional, revelando nomes importantes como Edu Francisco e Daniel HDR. O mais bacana é que, na negociação com a Character, empresa licenciadora da franquia, foi oferecido aos editores o mangá original, mas eles não aceitaram, preferindo a produção inteiramente nacional, um verdadeiro exemplo de incentivo artístico.
Foi no fim desse período, em 1998, que surgiu o mais bem sucedido mangá nacional até hoje publicado, Holly Avenger, de Marcelo Cassaro e Erica Awano (que fora uma das revelações anos antes como desenhista da edição 4 de "Novas Aventuras de Megaman). Além deste tivemos a adaptação de Street Fighter, pelos mesmos artistas, e Mortal Kombat, tendo Cassaro como roteirista e desenhado por outro filho da revista do Megaman, Edu Francisco.

Também em 98 a editora M&C fez uma tentativa frustrada com a revista Mangá Booken, que seguia os moldes dos almanaques japoneses (ou pelo menos tentava). A revista não vingou e foi cancelada em sua quarta edição, não representando muita relevância para o mercado nacional. A curiosidade que posso citar é que o Studio Seasons participou das duas primeiras edições dessa revista.
Por que não deu certo?
Essa geração parecia bastante promissora com boas iniciativas que funcionaram a princípio, mas que foram vítimas do amadorismo. Na verdade esse não foi exatamente um fator determinante se levarmos em conta que todo pioneirismo é caracterizado pelo amadorismo. Claro que as publicações que surgiam naquela época poderiam evoluir e, aos poucos, construir seu alicerce no mercado editorial. O problema foi o choque ocorrido na década seguinte com o lançamento de mangás originais do Japão com qualidade descomedidamente superior. Não dava pra competir com títulos como Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco - não haviam artistas com experiência suficiente para tanto. O público perdeu o interesse por obras nacionais e migrou para os títulos japoneses sem dó nem piedade, afinal o público não quer saber o que o artista teve de enfrentar, quantas horas de sono perdeu ou quanto suor derramou, o que ele quer é qualidade, e nesse aspecto o Japão era indiscutivelmente superior.
Até aqui falamos sobre os dois primeiros períodos do mangá nacional. No próximo post continuo com a segunda parte. Até lá!
Leia a 2ª parte AQUI.
Foi no fim desse período, em 1998, que surgiu o mais bem sucedido mangá nacional até hoje publicado, Holly Avenger, de Marcelo Cassaro e Erica Awano (que fora uma das revelações anos antes como desenhista da edição 4 de "Novas Aventuras de Megaman). Além deste tivemos a adaptação de Street Fighter, pelos mesmos artistas, e Mortal Kombat, tendo Cassaro como roteirista e desenhado por outro filho da revista do Megaman, Edu Francisco.

Também em 98 a editora M&C fez uma tentativa frustrada com a revista Mangá Booken, que seguia os moldes dos almanaques japoneses (ou pelo menos tentava). A revista não vingou e foi cancelada em sua quarta edição, não representando muita relevância para o mercado nacional. A curiosidade que posso citar é que o Studio Seasons participou das duas primeiras edições dessa revista.Por que não deu certo?
Essa geração parecia bastante promissora com boas iniciativas que funcionaram a princípio, mas que foram vítimas do amadorismo. Na verdade esse não foi exatamente um fator determinante se levarmos em conta que todo pioneirismo é caracterizado pelo amadorismo. Claro que as publicações que surgiam naquela época poderiam evoluir e, aos poucos, construir seu alicerce no mercado editorial. O problema foi o choque ocorrido na década seguinte com o lançamento de mangás originais do Japão com qualidade descomedidamente superior. Não dava pra competir com títulos como Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco - não haviam artistas com experiência suficiente para tanto. O público perdeu o interesse por obras nacionais e migrou para os títulos japoneses sem dó nem piedade, afinal o público não quer saber o que o artista teve de enfrentar, quantas horas de sono perdeu ou quanto suor derramou, o que ele quer é qualidade, e nesse aspecto o Japão era indiscutivelmente superior.
Até aqui falamos sobre os dois primeiros períodos do mangá nacional. No próximo post continuo com a segunda parte. Até lá!
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